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Catálogo ou anúncio próprio no Mercado Livre: onde publicar

Como explorar o catálogo do Mercado Livre antes de anunciar e decidir entre publicar na ficha do catálogo ou criar anúncio próprio, com os efeitos de cada escolha em visita e margem.

9 min de leitura#mercado-livre#anuncios#catalogo

Qual é a diferença entre catálogo e anúncio próprio?

No catálogo vários vendedores dividem a mesma página de produto, e no anúncio próprio a página é só sua. Essa é a diferença inteira, e todo o resto sai dela. A ficha do catálogo tem título, fotos e descrição padronizados pelo Mercado Livre, e quem publica ali não escreve nada disso: entra com preço, estoque e forma de envio para disputar a posição principal da mesma página.

No anúncio próprio acontece o contrário. Você monta o título, escolhe as fotos, escreve a descrição e preenche a ficha técnica, e essa página compete com as páginas dos outros vendedores na lista de resultados da busca. Ganha visita quem descreve melhor o produto, tem reputação boa e entrega rápido.

O que mudaCatálogoAnúncio próprio
Página do produtoUma só, dividida com os concorrentesSua, exclusiva
Título e fotosDa ficha, iguais para todosSeus, você edita quando quiser
Onde é a disputaDentro da ficha, pela oferta principalNa lista de resultados da busca
O que decide a vendaPreço, reputação, envio e prazoTítulo, fotos, preço e reputação
Produto que cabePadronizado, com marca e modelo conhecidosKit, marca própria, item sem par

Vale dizer o que não muda: a comissão da categoria, a tarifa fixa e o custo de frete são os mesmos nos dois formatos. O catálogo não cobra taxa extra por estar ali. O que ele muda é a dinâmica de preço, e é por aí que ele mexe na sua margem, como veremos adiante.

Quando o anúncio próprio compensa mais?

Quando o produto não tem par no catálogo ou quando a diferença está em algo que a ficha padronizada não mostra. Kit montado por você, marca própria, produto artesanal, item personalizado e combinação de peças não cabem numa ficha compartilhada, e forçar isso só coloca você para competir por preço contra produtos que não são o seu.

O anúncio próprio também é a escolha certa quando o seu diferencial é serviço. Garantia estendida, brinde, manual em português, atendimento pós-venda e montagem são argumentos que precisam de descrição e foto para existir, e a página compartilhada não deixa você contar isso. Ali só aparecem preço e prazo, então todo o resto do seu esforço vira invisível.

Há ainda um cenário de margem. Se o preço que está ganhando a ficha fica abaixo do seu preço mínimo de venda, entrar no catálogo é comprar prejuízo com pressa. O anúncio próprio permite vender mais caro para um comprador que chegou por uma busca específica, geralmente de cauda longa, com menos comparação lado a lado.

Nesse formato, o campo que mais pesa é o título, porque é ele que define em quais buscas o anúncio pode aparecer. A fórmula e os erros comuns estão em título de anúncio no Mercado Livre, e o roteiro completo de publicação em como criar um anúncio que vende.

O que muda no custo e na margem entre os dois?

A tabela de custos é a mesma, mas o preço de equilíbrio da disputa é diferente. No catálogo o seu preço fica visível ao lado do preço dos concorrentes na mesma tela, e a plataforma favorece quem oferece a melhor combinação de preço e entrega. Isso empurra o preço para baixo com o tempo, principalmente em categorias com muitos vendedores.

No anúncio próprio a comparação existe, mas exige que o comprador volte para a lista de resultados e abra outra página. Esse atrito costuma sustentar um preço um pouco maior, em troca de um volume menor. Nenhum dos dois é melhor no papel: o catálogo troca margem por giro, e o anúncio próprio troca giro por margem.

A decisão só fica honesta quando você conhece o seu piso. Antes de aceitar o preço que está ganhando a ficha, calcule quanto sobra dele depois de comissão, tarifa fixa, frete e imposto. Se o que sobra não paga o custo do produto e a operação, aquele catálogo não é para você agora, por mais atraente que o volume pareça. Rode a conta na calculadora gratuita da Cargoos antes de publicar.

Vale lembrar que o tipo de anúncio continua valendo nos dois formatos, e ele muda a comissão. A comparação entre Clássico e Premium, com o efeito de cada um na margem, está em anúncio Clássico ou Premium.

Como publicar no catálogo e o que fazer se o produto não está lá?

O caminho normal é o próprio fluxo de publicação. Ao anunciar, o Mercado Livre pede o código do produto e sugere a ficha correspondente quando encontra uma. Aceitando a sugestão, o seu anúncio passa a competir naquela página. Também dá para associar um anúncio antigo depois, pelo painel do vendedor, quando ele se torna elegível.

É por isso que o código de barras importa tanto na hora de cadastrar. O EAN é a chave que liga o seu anúncio à ficha certa, e produto sem código correto costuma ficar de fora do catálogo mesmo quando a ficha existe. O que é o código, como conseguir e onde preencher está em EAN e GTIN no Mercado Livre.

Se o produto não tem ficha, publique como anúncio próprio com a ficha técnica bem preenchida. Os atributos que você informa são o que permite ao Mercado Livre reconhecer o item mais tarde, e é comum um anúncio próprio virar elegível ao catálogo depois, quando a plataforma cria a ficha daquele produto. Ficha técnica incompleta costuma ser o motivo de isso nunca acontecer.

Como decidir sem apostar no escuro?

Testando um produto por vez e olhando os mesmos dois números. Depois de publicar, acompanhe visitas e taxa de conversão por duas semanas antes de mudar qualquer coisa, porque abaixo desse prazo o número ainda é ruído. Se as visitas são altas e a conversão é baixa, o problema é preço ou prazo. Se as visitas são baixas, o problema é posição, e no catálogo isso significa que você não está com a oferta.

Um roteiro simples resolve a maior parte dos casos. Explore a ficha e anote o preço que está ganhando. Calcule a sua margem naquele preço. Se sobra o suficiente, entre no catálogo e dispute. Se não sobra, publique anúncio próprio, trabalhe título e fotos e cobre o preço que fecha a conta, aceitando um volume menor no começo.

O erro que mais custa dinheiro é o do meio termo: entrar no catálogo baixando o preço até ganhar a oferta sem saber quanto sobra. Volume alto com margem negativa quebra mais rápido do que estoque parado, porque cada venda leva junto um pedaço do capital de giro. Decida pelo número, não pela posição.

Fontes

Perguntas frequentes

Busque o produto pelo nome ou pelo código EAN na barra de busca do site e abra o resultado que tem a ficha padronizada, com o bloco de outras opções de compra. Essa página é a ficha do catálogo. Nela você vê o preço da oferta que está ganhando, quantos vendedores concorrem e qual tipo de envio eles usam. É a leitura mais rápida que existe para saber se vale entrar naquele produto.

Depende do produto. Em item padronizado e muito procurado, o catálogo costuma vender mais, porque a ficha concentra o tráfego de todos os anúncios daquele produto e aparece bem posicionada na busca. Em produto sem par no catálogo, kit montado por você ou marca própria, o anúncio próprio vende mais, porque não existe ficha para disputar e o texto do anúncio é o que traz a visita.

Na prática o mesmo anúncio é o que compete no catálogo quando você aceita a associação à ficha, então não são dois anúncios separados vendendo em paralelo. O que dá para fazer é manter anúncios próprios de itens que não têm ficha e competir no catálogo naqueles que têm, tratando cada caso pelo que ele é.

O título e as fotos passam a ser os da ficha, iguais para todos os concorrentes daquele produto. Você perde o controle desses campos e ganha o tráfego concentrado da página. Por isso o trabalho de título só compensa em anúncio próprio, onde ele decide em quais buscas o anúncio aparece.

Luiz Gasparetto

Luiz Gasparetto

CTO da Cargoos. Escreve sobre taxas, precificação e inteligência competitiva no Mercado Livre.

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