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Dados fiscais no Mercado Livre: como preencher regra tributária, CFOP e CSOSN

Onde preencher os dados fiscais dos anúncios no Mercado Livre, quem precisa de regra tributária, qual CFOP e qual CSOSN usar e os erros da planilha que fazem a Sefaz rejeitar a nota.

O que são os dados fiscais no Mercado Livre?

Dados fiscais são o cadastro que diz ao emissor de NF-e do Mercado Livre o que cada produto é: NCM, origem da mercadoria, CEST e, no Simples Nacional, o CSOSN. Sem eles o emissor gratuito não fatura o anúncio.

O cadastro é feito por SKU e depois vinculado ao anúncio. Pela documentação dos dados fiscais, um anúncio com variações só fica apto a faturar quando todas as variações estão completas, e o vínculo continua valendo mesmo que o SKU do anúncio seja trocado depois.

No Regime Normal há uma segunda camada, a regra tributária: os dados do anúncio dizem o que o produto é, e a regra diz quanto imposto sai em cada operação e estado. Na emissão, o sistema cruza os dois.

CampoO que informaQuem preenche
NCMA classificação do produto na nomenclatura do Mercosul, com 8 dígitosTodos
Origem da mercadoriaNacional ou estrangeira, pelo dígito de 0 a 8 da tabela de origemTodos
CESTO código do produto sujeito a substituição tributáriaQuando há ST
CSOSNA situação do ICMS da operação no SimplesSó Simples Nacional
Regra tributáriaCST, alíquotas e CFOP por imposto e por estadoSó Regime Normal
FCIA ficha de conteúdo de importaçãoOrigens 3, 5 e 8
O preenchimento é responsabilidade do vendedor, diz o próprio Mercado Livre, que recomenda validar os códigos com o contador.

Como adicionar e alterar os dados fiscais dos anúncios?

Há três jeitos de preencher, conforme quantos anúncios você vai mexer, segundo a nota oficial sobre regras tributárias:

  • Individual: no anúncio, clique nos três pontos e vá em Dados fiscais. Serve para poucos produtos
  • Editor em massa: em Anúncios, selecione vários produtos e use Alterar no Editor em massa > Dados fiscais
  • Excel: em Anúncios, use Alterar pelo Excel, preencha os dados fiscais na planilha e envie de volta

Alterar segue os mesmos caminhos, na lógica dos anúncios em massa. Se a mudança for só a regra tributária vinculada, o Editor em massa basta, sem mexer na planilha de regras.

No kit, os dados fiscais apontam para os SKUs dos componentes, com a quantidade e o percentual de cada um na nota, como 90% para um celular e 10% para a capinha no exemplo da documentação. SKU repetido ou inexistente é recusado, então cadastre os componentes antes.

No Full, os dados fiscais deixam de ser opcionais. A documentação do faturador diz que o emissor é indispensável nessa modalidade, que as notas saem automaticamente e que o primeiro envio já pede os dados fiscais dos anúncios e, no Regime Normal, as regras tributárias.

O que é a regra tributária e quem precisa criar?

Regra tributária é a configuração que define como os impostos de cada nota são calculados, e só quem está no Regime Normal (Lucro Presumido ou Lucro Real) precisa criar. A documentação das regras é direta: quem é do Simples Nacional não envia regra tributária e passa direto aos dados fiscais de cada produto.

Cada regra guarda alíquotas e códigos por imposto e por estado, e dá para criar várias, como Eletrônicos SP ou Alimentos isentos. Elas ficam no Emissor de NF-e, em Configurações fiscais > Regras tributárias, e a planilha modelo tem uma linha por tipo de destinatário:

  • Contribuinte para consumo: empresa com inscrição estadual que compra para uso próprio
  • Contribuinte para revenda: empresa que compra para revender
  • Não contribuinte: CPF ou empresa sem inscrição estadual
  • Envio de estoque: a nota de remessa ao centro de distribuição, que só aparece para quem usa o Full

As colunas vão de IPI, PIS, COFINS e IBS/CBS até o ICMS de cada estado. O regime aparece no PIS e na COFINS: o exemplo oficial usa 1,65% e 7,6% no Lucro Real e 0,65% e 3% no Lucro Presumido. O IBS e a CBS vêm da reforma tributária, explicada no guia de nota fiscal no Mercado Livre.

Criar a regra não basta: ela só passa a valer depois de vinculada aos anúncios, pelos mesmos três caminhos dos dados fiscais.

Como preencher a planilha de regras tributárias sem rejeição?

A nota do Mercado Livre sobre a planilha aponta os erros de digitação que travam a nota:

  • Alíquota escrita como ela é: 18, e não 0,18. Dividir por 100 faz o sistema calcular um imposto quase zero
  • Zero não é vazio: 0 diz que não há alíquota, e o campo vazio fica como não configurado
  • FCP no campo próprio: somar ICMS de 18% com FCP de 2% e escrever 20 cobra o fundo em duplicidade
  • CST 00 com alíquota zero é recusado. Sem ICMS na operação, use 40, 41 ou 50, conforme o caso

O CST de ICMS escolhido define o que mais a planilha exige:

CST do ICMSO que significaPreencha também
00Tributada integralmenteAlíquota interna e o FCP, se o estado cobrar
20Com redução da base de cálculoO percentual de redução
10 e 70Com cobrança de ICMS por substituição tributáriaMVA ajustada e campos de ST; no 70, também a redução
60ICMS cobrado antes por substituição tributáriaICMS-ST e FCP retidos anteriormente
40 e 41Isenta ou não tributadaO motivo da desoneração

Quando o CST exige o código de benefício fiscal (cBenef), oito UFs validam o campo na nota: DF, ES, GO, PR, RJ, RS, SC e SP. Planilha com erro volta com um arquivo de diagnóstico que mostra a linha e a coluna do problema.

Uma regra válida também pode virar incorreta sem você mexer nela. Os motivos citados pelo Mercado Livre: a empresa mudou o estado de origem (crie regras para o novo estado), entrou no Full (preencha a linha de envio de estoque) ou a Sefaz passou a validar um campo novo.

Qual CFOP usar nas vendas do Mercado Livre e no Full?

O CFOP começa com 5 quando vendedor e comprador estão no mesmo estado e com 6 quando não estão; o resto do código diz a natureza da operação. Na documentação do emissor, a regra tributária define um CFOP padrão para dentro e outro para fora do estado, por origem do produto (revenda, fabricação ou importação), e aceita exceções por CST. Sem exceção, vale o padrão do sistema.

CFOPDescrição oficial resumidaQuando aparece no Mercado Livre
5.102 e 6.102Venda de mercadoria adquirida de terceirosRevenda comum, no exemplo da documentação
5.101 e 6.101Venda de produção do estabelecimentoQuem fabrica o que vende
6.108Venda de mercadoria de terceiros a não contribuinteRevenda a pessoa física de outro estado
5.405Venda com ST na condição de substituídoRevenda de produto que já veio com ICMS-ST retido
5.949 e 6.949Outra saída não especificadaRemessa de estoque ao Full no modelo OLSS
5.106 e 6.106Venda de mercadoria que não transita pelo estabelecimentoVenda que sai do centro de distribuição
1.202 e 2.202Devolução de venda de mercadoria de terceirosDevolução da revenda

O 6.108 merece atenção. A tabela oficial de CFOP manda classificar nele, ou no 6.107 para produção própria, qualquer venda a não contribuinte de outro estado, como uma pessoa física. Para o MEI, a redação de 2022 simplificou: 5.102 e 6.102 valem para qualquer venda de mercadoria, exceto remessas para exportação.

No Full, o faturador emite uma cadeia de notas: a remessa do estoque ao armazém, o retorno simbólico quando a venda acontece e a nota de venda ao comprador. No modelo OLSS, amparado pela Portaria CAT nº 59/2018, de São Paulo, a remessa usa 5.949 e 6.949. No modelo de filial, a remessa vira transferência, com códigos como 5.152 e 6.152.

Qual CSOSN usar no Simples Nacional?

No Simples Nacional, o CSOSN ocupa o lugar do CST do ICMS e vai nos dados fiscais de cada produto, não numa regra tributária. A tabela oficial é a do Ajuste SINIEF 3/2010, e o código certo depende da operação:

CSOSNSituaçãoQuando se aplica
101Tributada com permissão de créditoA operação permite indicar a alíquota e o crédito de ICMS ao comprador
102Tributada sem permissão de créditoVenda tributada que não se encaixa nos demais códigos
103Isenção por faixa de receita brutaO estado isenta a sua faixa de faturamento
201 a 203As mesmas situações, com cobrança de ICMS por STVocê é o responsável por reter a ST
400Não tributada pelo SimplesA operação não sofre ICMS dentro do Simples
500ICMS cobrado antes por ST ou antecipaçãoRevenda de produto que já veio com ST retida
900OutrosNenhum dos códigos acima serve

Como o CSOSN muda o imposto da venda, confira produto a produto com o contador, principalmente os que têm substituição tributária e pedem o CEST.

O MEI também é optante do Simples e preenche o CSOSN, mas o emissor do Mercado Livre não atende o MEI do Rio Grande do Sul, que precisa de outro emissor. A comparação dos regimes está em MEI ou Simples Nacional.

Como cadastrar a inscrição estadual e manter o emissor em dia?

A inscrição estadual é cadastrada nas configurações do emissor, em Preferências de venda > Emissor de NF-e, onde também ficam a série das notas e o certificado digital. Para usar o emissor, o Mercado Livre pede quatro coisas:

  • CNPJ habilitado na Sefaz do seu estado para emitir NF-e
  • Cadastro no Mercado Livre com os mesmos dados da Sefaz
  • Certificado digital A1
  • Enquadramento no Simples Nacional ou no Regime Normal

Quem tem inscrição em outros estados cadastra uma por estado: a documentação de inscrições estaduais trata esse cadastro como opcional e prevê a opção de seguir gerando a GNRE das vendas para aquele estado mesmo com a inscrição cadastrada, o que muda a conta do DIFAL.

Trocar o CPF por um CNPJ, ou um CNPJ por outro, não se faz no emissor: o Mercado Livre pede um formulário com a documentação da mudança, o mesmo caminho da troca de titularidade explicada em duas contas no Mercado Livre.

Dado fiscal errado também distorce a margem: um código que destaca imposto indevido, ou esquece a substituição tributária, muda o custo de cada venda. Com os códigos conferidos, coloque a alíquota efetiva na calculadora de lucro do Mercado Livre e veja o preço mínimo de cada anúncio com tarifa, frete e imposto.

Fontes

Perguntas frequentes

Não. A regra tributária é só para o Regime Normal, no Lucro Presumido ou no Lucro Real. No Simples, você preenche os dados fiscais de cada produto, com NCM, origem e CSOSN, e o emissor usa esses dados para calcular a nota.

Cadastre primeiro os dados fiscais de cada componente pelo SKU. Depois crie o kit apontando para esses SKUs, com a quantidade e o percentual de cada item na nota. SKU repetido ou inexistente faz o cadastro ser recusado.

Porque o emissor cruza os dados do anúncio com a regra tributária, e a Sefaz valida a nota na hora. Os erros mais citados pelo Mercado Livre são alíquota digitada como 0,18 em vez de 18, CST 00 com alíquota zero e regra que ficou inválida após mudança de estado ou entrada no Full.

O CFOP sai da regra tributária, que traz um código padrão para dentro e para fora do estado e aceita exceções por CST. Se o código não serve à sua operação, revise a regra com o contador. Nota já autorizada não muda quando a regra é corrigida.

Luiz Gasparetto

Luiz Gasparetto

CTO da Cargoos. Escreve sobre taxas, precificação e inteligência competitiva no Mercado Livre.

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